Quase que eu me explodo no meio de uma pequena demonstração da centésima Lei de Murphy, quando estávamos indo para a escola. Porém, eu apenas disse com ênfase e em alguns milésimos de segundo eu alterei minha voz, mas manti totalmente o meu controle vocal ao proferir as seguintes palavras:
Lembra quando a Fulana contava seus segredos pra mim, e daquela msg, você gostou? Eu também não gosto que contem os meus, ainda mais quando é uma mentira que eu fiz pra te testar. Era pra você ter ficado quieta que eu ia desmentir. Será que a gente tem que te ignorar e te pisar como a Fulana fez pra você considerar todas aquelas pessoas que realmente estão ao seu lado? Não importa se você conta sua vida para os outros, se o que eu te conto é coisa minha, é pra você ficar quieta, se eu quisesse que todo mundo soubesse, eu mesmo contava.
Depois disso percorremos o caminho até a escola em silêncio, eu ignorando totalmente a presença dela. Porque eu não gosto de ficar enxendo muito a cabeça. Falei o que tinha pra falar e pronto. Eu sabia que ela iria refletir muito aquilo. Então eu fui para minha sala e ela foi para a dela. Na hora do recreio vieram me contar o que havia acontecido e que ela havia ido embora por ter dado uma crise e começado a chorar do nada, e quando falaram que iam me chamar, ela falou que não era para me intrometer na história (orgulho ferido e/ou consciência pesada - este último palavras da minha mãe).
Depois uma menina da minha sala falou que ela estava dando chilique na sala do diretor, e todo mundo na hora do recreio correu pra cima de mim me perguntando o que havia acontecido. Eu só contei essa história pro amigo dela da sala dela, e tentei evitar todo o resto porque se não teria que repetir os fatos again. Mas o que me deixa putaderaiva é que deveria ser eu dando essa crise, não ela, porque a única vítima nessa história sou eu, e nem por isso estou passando por coitadinha.
Porque o que o primo dela me falou é uma coisa certa: na hora de meter o pau nos outros, ela está muito bem, obrigada; mas na hora de assumir os erros dela, ela começa a chorar e falar que está passando mal. E isso derrete todo mundo, mas não vai funcionar comigo. Porque eu não vou pedir desculpas, nem tenho o que me desculpar. Tenho certeza de que se, algum dia nós voltarmos a conversar, ela vai pensar 156987463145789470642 milhões de vezes antes de fazer alguma coisa comigo.
Ah, vai se fuder. Minha vida é uma feira: cheia de pepinos para resolver e abacaxis para descascar. Por isso dispenso qualquer adepto do ideal se não puder ajudar, atrapalhe. Pois o importante é participar. Isso é só o que eu tenho a dizer. Eu já tenho uma gatinha linda, não preciso de um amigo da onça. Passar bem, obrigada.

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